82-  Patola - Caso acontecido em maio de 2010 - conhecido como o Cão do Sta Cruz


A história do cachorrinho Patola começou através da internet. Existe em BH um grupo de protetores que realiza trabalho voluntário no resgate de cães e gatos de rua. Este grupo é composto por vários protetores, a maioria independentes e alguns ligados a Ong’s ou grupos de proteção. Sempre que aparece um caso mais grave de um cão ou gato que precisa com mais urgência de resgate, este grupo é acionado através do envio de email. Se alguém do grupo pode ajudar, se manifesta e diz que tipo de ajuda pode oferecer. Muitas vezes os que podem, fazem uma arrecadação financeira e enviam para quem resgatou o animal, outros podem ir até o local e resgatar, outros repassam o email na esperança de que alguém fora do grupo também ajude. Desta forma, muitos animais são resgatados de situações de maus-tratos, atropelamento, etc.

No dia 07 de maio a protetora Alexsandra recebeu uma denúncia de um cachorrinho acorrentado, sem abrigo, pele e osso, sofrendo todo tipo de maus-tratos na região Nordeste de BH. Ela enviou um email pedindo ajuda a alguém que estivesse próximo do local e pudesse verificar a situação.
A protetora do SOS Bichos Carla Roberta, recebeu o email através da protetora Elizabeth Solange e como o cachorro estava num local próximo, ela se disponibilizou para verificar a situação.
Mas existia um agravante, o suposto “responsável” pelo cão, morava numa parte do bairro, considerada muito perigosa e havia a suspeita de que ele seria usuário de drogas e ninguém sabia dizer se o mesmo era do tipo violento...

Depois de uma extensa troca de informações entre as protetoras e o denunciante, a protetora Carla Roberta pode se deslocar, num dia na hora do intervalo de almoço do trabalho, para ver de perto o que estava acontecendo.

Leia o relato da protetora sobre a situação encontrada:

“Fui verificar o caso do cachorrinho Patola e pronta para enfrentar as dificuldades de sempre, falta de informação, descaso, falta de humanidade, ignorância e tudo aquilo que permeia situações assim.
Encontrei a casa no final da rua indicada, na parte mais simples do bairro e ao me aproximar do portão, vi o estado de pobreza e total falta de condições da suposta família. Um barracão muito simples e no quintal de terra batida, um cachorrinho de pequeno porte, extremamente magro, que com a minha aproximação para bater palmas e chamar alguém, ainda teve forças para latir...
Quem me atendeu foi a mãe do rapaz, que era o responsável pelo cachorrinho. Disse a ela qual era a minha intenção, que havia recebido uma denúncia sobre a situação do Patola e se ela me permitia entrar e ver de perto o cachorro.
Na hora, fique sabendo que a polícia havia estado no local 2 dias antes e por isso, não fiquei surpresa ao constatar que havia água e comida e uma casinha improvisada para abrigo do cachorrinho.
Doeu no coração ver aquele cachorro tão magro, pele e osso, com feridas pelo corpo, unhas enormes e ainda assim depois de alguma conversa, se aproximou abanando o rabinho para ver se ganhava um carinho... Saí de lá profundamente triste, como sempre acontece quando me deparo com tanta falta de humanidade e descaso com os animais. Como era hora de almoço, combinei com a mãe do rapaz de buscar o cachorrinho para levá-lo a uma avaliação veterinária no final da semana. A senhora então me disse que se ele estivesse mesmo doente, (os sinais de Leishmaniose eram muito claros), que eu podia “dar sumiço nele”... que o cachorro não era dela e que não queria saber dele,que bastava os problemas com filho e com os netos...
No dia combinado busquei o cachorrinho Patola e o levei para uma avaliação com o Dr. Marcelo Lobão. Durante o exame o Dr. Marcelo confirmou a suspeita de Leishmaniose e colheu sangue para exames complementares e de confirmação exata do quadro clínico do Patola. Além disso cortou as enormes unhas e aplicou um antibiótico para melhoras as feridas.
O Patola foi devolvido para a casa onde estava desde o início, pois apesar de ter estado numa condição de abandono, após a “visita” da polícia, ele ficava solto e tinha, água e comida a vontade. Não era justo privá-lo de liberdade, caso estes dias de espera, fossem os últimos...
Os resultados sairiam em quatro ou cinco dias e até lá, fui monitorando a situação. Depois do primeiro contato, todos os dias dava uma passada por lá e encontrava o serelepe Patola, (apesar de muito debilitado ainda tinha forças para latir e fazer festa na minha chegada), com água, comida e solto pelo quintal.
Infelizmente, apesar da torcida de todos os envolvidos, os exames do Patola confirmaram a suspeita de Leishmaniose... Como a “família” não o queria doente e ele apresentava todos os sinais clínicos da doença, além da mesma já ter afetado seu estado geral a decisão pela eutanásia teve que ser tomada.
Eu mesma busquei o pequeno Patola e o levei para a clínica veterinária...Somente quem já teve que tomar decisão como esta, sabe o sentimento e a angústia nestas horas...”

O caso do cachorrinho Patola é apenas um, num universo onde cães e gatos sofrem maus-tratos diários, são abandonados nas ruas, sofrem mutilações propositais e são tratados como meros objetos.
O que mais chocou no caso deste cachorro, foi saber que ele ficou preso em uma corrente, sem os cuidados necessários, sendo maltratado diariamente, por quase 2 anos...
Isso mesmo... durante 2 anos pessoas próximas do local onde vivia o cachorrinho Patola, sabiam da sua triste condição e não tiveram a hombridade, a coragem e principalmente a caridade de buscar uma solução para tirar o cachorro daquele sofrimento!! Somente após tanto tempo, alguém teve a coragem de denunciar o caso...

Quem sabe se algum deles tivesse tomado esta atitude antes, o Patola hoje estaria vivendo num local onde pudesse ter carinho, respeito e cuidados.
Graças também a falta de atitude daqueles que conviveram com esta situação, bem como dos supostos “responsáveis” pelo Patola, a ajuda e a mobilização de protetores como a Alexsandra, a Elizabeth e a Carla Roberta do SOS Bichos, chegou tarde demais...

Fizemos questão de relatar esta triste história do cãozinho Patola, para servir de alerta a todos aqueles que sabem ou vêem diariamente situações de maus-tratos, DENUNCIEM!!!!!!!!!!!!!

Ligue para a Polícia e peça uma verificação no local, a denúncia pode ser anõnima, não permita que um animal indefeso sofra com a ignorância e a falta de noção de pessoas que não deveriam ter sob sua responsabilidade cães e gatos!

No link abaixo você encontra mais informações de como denunciar maus-tratos:

http://www.sosbichos.com.br/maustratosaosanimais.html

Prestamos aqui uma homenagem ao pequeno Patola e temos que agradecer o apoio das protetoras  Alexsandra e Elizabeth, que apoiaram a protetora Carla Roberta durante todo o processo e dividiram com todos nós as difíceis decisões. Abaixo algumas fotos para você que leu a história, conheça o cachorrinho Patola, que ele possa ter no céu dos cachorros a alegria, o carinho e amor que não teve em vida!!

Grupo SOS Bichos - BH
 

A carinha sofrida de um cão jovem que infelizmente só conheceu uma vida e tristezas...

 

 
 

Magro, desnutrido, com feridas pelo corpo...

 

 

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