|
|
Sasha. Eu quero viver

Mais uma bela história.

Essa cadelinha tem muita sorte. Não
sabemos quantas, mas esta não foi a sua segunda chance. Talvez a
terceira ou quarta. Mesmo assim, não perdeu a docilidade e a
adoração por pessoas.

Esta mocinha foi encontrada na
Avenida Abílio Machado, sem nenhuma experiência com a vida livre,
entrando na frente dos carros e seguindo as pessoas.
Abanava o rabinho e pulava em
qualquer um que passava, como se estivesse pedindo pra brincar.
Estava claro que havia se perdido ou fugido. Não havia nenhum sinal
de maus tratos. Pêlo muito bem cuidado, bem alimentada, hidratada e
sem parasitas.
Estava também castrada, o que
indicava que estava em boas mãos, ou que já passou pelas mãos de
algum protetor ou ONG.
Logo na primeira semana, mostrou o
porquê estava perdida. Ela é uma daquelas coisas fugitivas, que não
pode ver um portão aberto.
Normalmente, quando recolhemos um
cão, ele já está com marcas visíveis do abandono, machucado e
ferido, arredio e com medo das pessoas, às vezes muito doente e por
aí vai.
A Sasha não era nada disto.
Continuava aparentemente saudável, apesar de alguns pequenos
machucados, pêlo brilhante e macio, bem alimentada e, o melhor,
muito sociável com pessoas e outros cães. Mas as ruas são cruéis e
não demoraria muito pra roubarem dela essa doçura.
A recolhemos em uma tarde de domingo
e a levamos para casa, onde ficou em companhia de vários outros
cães, com os quais a pequena Sasha se enturmou com menos de 5
minutos.
As fotos abaixo foram tiradas
minutos após o resgate.

No dia seguinte ao resgate, foi
levada à clínica onde ficou três dias, para os procedimentos de
rotina. Foi vacinada, vermifugada e colheu sangue para exames.
Quando chegaram os resultados dos
exames, sua história de luta pela vida começou. Um primeiro
diagnóstico positivo para leishmaniose, embora sem nenhum sintoma
aparente.
Não era possível que uma cadelinha
tão alegre estivesse condenada. Decidimos aprofundar os exames, o
que indicou a possibilidade de erlíchia. Trinta dias de tratamento
intenso para a erlíchia e novos exames, confirmando o diagnóstico
positivo para leishmaniose.
A opção recomendada seria a
eutanásia. Mas eutanásia é para evitar o sofrimento do animal e,
nesse caso, não havia sofrimento. Ela era uma cadelinha esperta,
ativa, brincalhona, carinhosa e queria muito viver.
Ficamos imaginando qual seria o seu
destino, se ela fosse um cãozinho de estimação e tivesse uma família
que a amasse. Seria sacrificada? Achamos que não. Claro que nesse
caso, ela receberia o melhor tratamento. Teria à disposição todos os
recursos que a medicina veterinária pudesse oferecer e que o
dinheiro pudesse pagar.
Mas ela era uma cadelinha vira-lata,
porte médio, daquelas que ninguém quer. Estava nas ruas. Seus donos
não procuraram por ela, ou talvez a tenham abandonado.
Decidimos usá-la como exemplo. Não
foi por acaso que ela chegou em nossa porta e pulou em meu colo sem
qualquer aviso e sem que eu lhe chamasse. E alguns ainda duvidam que
eles são guiados.
Ela teria o melhor. Ela teria o
tratamento digno e todos os recursos médicos possíveis. A Sasha era
muito carinhosa e brincalhona. Tinha todas as atitudes de filhote.
Já estava vacinada, vermifugada e castrada. Relacionava-se muito bem
com outros cães e também com crianças. Merecia uma desfecho
diferente.
Iniciou o tratamento com uma enorme
quantidade de medicamentos, chegando a tomar até 10 comprimidos por
dia. Medicamentos e protocolos já testados e aprovados em alguns
países da Europa. Tinha que funcionar. Afinal, ela merecia.
O tratamento foi longo e o
confinamento também. A Sasha já dava sinais de cansaço, de estresse,
de tristeza. Mas a luta pela vida estava apenas começando.
Em uma manhã, percebendo a
necessidade da Sasha mudar de ares e esquecer um pouco o difícil
tratamento, decidimos dar a ela um dia de cão, ou melhor, um dia de
lobo. Passaria um dia inteiro em uma expedição canina, junto com
companheiras já conhecidas.
Assim que se viu em liberdade, ela
corria, pulava, cheirava, cavava, latia, deitava, rolava, às vezes
lembrava que precisava beber, comia um pouco, voltava a pular,
correr, brincar…


Depois de um dia de muita atividade,
claro que ela prepararia uma cama bem confortável, na terra mesmo,
exatamente como faria uma loba. Por apenas um dia, ele esqueceu a
doença e o tratamento. Desfrutou das delícias da vida de um cão
saudável, feliz e amparado.
Ela sabe o que é ser um cão de
estimação. Sabe que nasceu pra isso e não vai desistir fácil.

Ao final do dia, perguntada se
gostou do passeio, foi esta a resposta que tivemos.

Esse anúncio não busca arrecadar
recursos para o tratamento. A Sasha já tem todo o tratamento
garantido. Será doada com todos os exames em perfeito estado,
inclusive com exame negativo para Leishmaniose.
Mas claro que dependerá de alguns
cuidados especiais.
Por ora, precisa encontrar os donos
ideais. Alguém que se disponha a recebê-la, ou pelo menos esperar
por ela na saída da Clínica, após a conclusão do tratamento.
Enquanto estiver em tratamento, poderá visitar os novos donos,
conhecer a nova casa e quem sabe até passar com eles um final de
semana ou outro, pra ir se acostumando.
Contato para adoção:
Crispim. (31) 3477.7602


|